
Há processos que não aceitam aceleração. Em Modena, na região norte da Itália, um
deles atravessa séculos. E o que ele produz começa antes de qualquer ficha técnica.
Publicado em 17/07/2026 • por Grupo TECNO
O mosto, o suco recém-extraído das uvas Trebbiano ou Lambrusco, é cozido em fogo aberto até perder metade do volume. Depois entra na primeira de uma série de barris de madeiras diferentes.
Uma vez ao ano, entre dezembro e janeiro, o líquido migra para o barril seguinte, um pouco menor, e leva consigo o que absorveu do anterior. A cada passagem, uma parte se perde por evaporação nos sótãos das casas antigas, onde o frio do inverno decanta e o calor do verão fermenta.
A sequência de madeiras não é aleatória. Cada uma age sobre o líquido de forma distinta ao longo dos anos, e o produtor escolhe a ordem e o tamanho de cada barril com isso em mente.
Essa escolha define o caráter do balsamico que vai sair anos depois. Doze anos depois, o que sai é cerca de 10% do que entrou. É desse percurso que nasce o Aceto Balsamico Tradizionale di Modena DOP.

Interior da Acetaia Giusti, Modena — barricas dos séculos 18 e 19 ainda em uso.

Fachada do Gran Deposito Aceto Balsamico G. Giusti, Modena — fundado em 1605.
A Acetaia Giusti abriu em 1605, quando Giuseppe e Francesco Maria Giusti foram registrados no primeiro censo comercial do Ducado de Modena.
Hoje, na 17ª geração, a acetaia preserva cerca de 600 barricas dos séculos 18 e 19, nunca completamente esvaziadas. Parte dessa história atravessa gerações e ainda participa dos frascos atuais.
A Pedroni começa em 1862, com barris que haviam sido usados para vinho Marsala e chegaram à osteria de Giuseppe Pedroni em Rubbiara di Nonantola. Ele decidiu usá-los para fazer balsamico.
Os descendentes ainda cultivam o mesmo vinhedo de Trebbiano di Spagna que ele plantou.
São histórias distintas que chegaram ao mesmo ponto: um produto que carrega o lugar de forma tão literal que mudar o endereço seria mudar o produto.
O Affinato envelhece no mínimo doze anos; o Extravecchio, 25. A diferença aparece na densidade e no equilíbrio entre o doce e o ácido. O líquido chega ao fim com a marca de cada barrica, numa sequência que não pode ser abreviada.
Antes de ir para a garrafa, uma comissão de provadores credenciados pelo Consórcio de Tutela avalia cor, aroma e viscosidade de cada lote. A avaliação é organoléptica, feita pelos sentidos, não por instrumento, seguindo as regras da denominação.
Só depois da aprovação o produto pode ser engarrafado no frasco de 100 mililitros desenhado por Giorgio Giugiaro, único formato autorizado para o DOP.
Mesmo depois de 25 anos numa sequência de barricas, um lote ainda pode ser recusado.

Frasco Extravecchio de Aceto Balsamico Tradizionale di Modena DOP — formato exclusivo desenhado por Giorgio Giugiaro.

Visita da equipe do Grupo TECNO a uma acetaia tradicional da Emilia-Romagna, durante o Bertazzoni Experience em março de 2026.
Durante o Fuorisalone 2026, o Bertazzoni Experience levou o GRUPO TECNO a uma visita a uma acetaia tradicional da Emilia-Romagna.
Num sótão com centenas de barricas enfileiradas, o cheiro de madeira e vinagre concentrado revela algo que demora para se articular em palavras: certos produtos começam antes do nascimento de quem vai comprá-los.
A Bertazzoni nasceu em Guastalla em 1882 e segue ligada ao mesmo território há seis gerações. O saber técnico acumulado nesse tempo carrega as marcas daquele lugar: a proximidade com a tradição mecânica da região, com sua cultura de precisão e com o mesmo território onde se produz o Parmigiano Reggiano, o Prosciutto di Parma e o aceto balsâmico.
Não é uma coincidência de endereço. É o resultado de uma cultura produtiva que trata o tempo como parte do processo, a família como continuidade do método e o lugar como condição do resultado. Tempo, família e saber acumulado: a mesma lógica das acetaias da região. É a Emilia-Romagna sendo coerente consigo mesma.
Inspirações para
quem vive a cozinha.

O que o tempo fabrica

Hiperlocalidade

Feitos para permanecer

Site do Grupo TECNO vence o iF Design Award 2026

Lofra 70 anos

Milão, abril: estivemos lá

Cozinha como encontro: o projeto de Viviane Bush

Vinhos: a arte de guardar e servir

Grupo TECNO na Expo Revestir 2026

O "eterno" é o novo objeto de desejo em 2026

Um espaço para receber com elegância

Convivialità: o coração da casa italiana

Grupo TECNO na Expo Revestir 2026

Grupo Tecno é finalista do iF Design Award 2026

Projeto Clássico: a sofisticação atemporal

Qual o ritmo da arquitetura para 2026?

Sardenha: a primeira blue zone é italiana

A arte de montar a mesa

Para além de Roma e Veneza

Emilia-Romagna: da arte ao design italiano

Um projeto com toque industrial
Bertazzoni no Voyage Lifestyle Show
Entre o design e o cotidiano
Eventos de design que valem a pena acompanhar
Curadoria: sentir-se na Itália, sem sair do Brasil
Coleção Master Bertazzoni: design e performance

A casa de vila de Isa Scherer e Rodrigo Calazans

A cozinha retrô de Natalia Vasconcelos

Château Carmelo por Priscilla Muller

25 anos do Grupo TECNO

Conheça a Elica